Creatina pode ir além dos músculos: novos estudos mostram benefícios no combate à depressão

A creatina costuma ser lembrada como um dos suplementos mais eficazes para ganho de força, recuperação muscular e melhora do desempenho esportivo. No entanto, pesquisas recentes começam a revelar que o papel dessa substância vai muito além do universo das academias. Evidências científicas apontam que ela também pode ser uma aliada no cuidado com a saúde mental, especialmente no manejo da depressão, quando utilizada em conjunto com terapias já consolidadas.

Um estudo recente de oito semanas, conduzido em formato rigoroso (randomizado e duplo-cego), avaliou pacientes diagnosticados com transtorno depressivo maior que não estavam em uso de antidepressivos. Os participantes receberam acompanhamento com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) de baixa intensidade e foram divididos em dois grupos: um deles suplementou 5g diárias de creatina monohidratada, enquanto o outro recebeu placebo. O resultado foi promissor: o grupo que utilizou creatina apresentou uma melhora clínica significativa, com redução mais expressiva na gravidade dos sintomas depressivos.

Mas como isso acontece na prática? O cérebro, assim como os músculos, depende de energia para funcionar bem. A creatina participa diretamente da produção de ATP, que é a principal “moeda energética” das células. Em pessoas com depressão, há indícios de que esse metabolismo energético esteja prejudicado, o que pode impactar humor, concentração e disposição. A suplementação de creatina ajuda a restabelecer esse equilíbrio.

Além do aporte energético, há outros mecanismos importantes em jogo. A creatina influencia neurotransmissores ligados ao bem-estar, como dopamina e serotonina, auxilia na regulação de receptores NMDA e exerce efeito neuroprotetor ao reduzir o estresse oxidativo. Também estimula o aumento de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), uma proteína fundamental para a plasticidade neural e para a resiliência cognitiva e emocional.

Outro ponto positivo é que, no estudo, não foram relatados eventos adversos relevantes, o que reforça a segurança do suplemento quando usado nas doses recomendadas. Por ser de fácil acesso e custo relativamente baixo, a creatina surge como uma alternativa viável para complementar tratamentos já existentes.

Ainda assim, é essencial destacar: a creatina não substitui acompanhamento médico nem as abordagens clínicas tradicionais. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores como saúde dos rins, uso de medicamentos e condições específicas de cada pessoa.

Os novos achados mostram que a creatina pode estar abrindo caminho para uma abordagem mais ampla e integrada da saúde, onde corpo e mente se beneficiam de estratégias combinadas. É um campo em crescimento que merece atenção tanto de profissionais de saúde quanto de quem busca compreender melhor o potencial desse suplemento.

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